domingo, 12 de junho de 2016
LÊNY
se hoje já é gravidez de risco, imagina naquela época.
mas meus pais queriam muito me ter.
os médicos todos desaconselhavam mas eles encontraram um que achou que dava, que não tinha problema.
ele tinha menos de trinta, tinha acabado de terminar a residência. deu certo, eu tô aqui e ele, o médico, e a mulher viraram meus padrinhos, que eu não vejo nunca.
hoje a minha mãe é uma senhora.
ela anda com muita dificuldade mas ela não aceita de jeito nenhum ir pra cadeira de rodas.
ela tem medo que aconteça o que aconteceu com a minha avó, que o médico disse que quando ela fosse pra cadeira de rodas ela não ia mais voltar a andar - e ela não voltou mesmo.
então a mamãe não deixa a gente ajudar em nada. a gente tenta mas ela não deixa.
outro dia eu tava com ela na casa da minha irmã, ela tinha feito transfusão de sangue então tava se sentindo ótima, mas o médico tinha avisado pra não abusar.
ela foi tomar banho e eu me dei conta de que na casa da minha irmã não tem aquelas barras de apoiar, de segurança, e banheiro é um lugar periogoso, né.
aí eu fui correndo, abri a porta do banheiro e perguntei se ela não queria uma ajuda, que eu ajudasse.
aí ela gritou: a porta tá fechada porque eu tô tomando banho, você fecha essa porta!
e eu fechei.
outro dia eu contei essa história pra lêny, que eu conheci no trem.
ela me disse que todos os filhos tinham que ser que nem eu.
a lêny trabalha numa clínica de idosos na tijuca.
ela cuida do seu raimundo, que já foi um cara muito rico mas que perdeu a lucidez e o dinheiro e os filhos colocaram ele lá e quase nunca visitam, quase nunca aparecem.
às vezes ele acorda no meio da madrugada, acorda a lêni e diz:
- eu preciso ir pro escritório
- pra que, seu raimundo?
- eu preciso despachar, prepara o carro pra mim que eu preciso ir despachar.
ela prepara a cadeira de rodas, do lado da cama, e diz:
- então vamo que o carro tá pronto.
ela coloca ele na cadeira de rodas, eles saem do quarto, dão uma volta no andar e quando eles chegam de novo no corredor do quardo dele, ela pergunta pra ele:
- tá reconhecendo aqui?
- é a rua do meu escritório. ali, no fim da rua.
eles entram no quarto, ele pede pra ela colocar ele na mesa, ela coloca ele na cama e nessa hora ele já tá com sono e dorme.
a lenu entra no trabalho segunda de manhã e sai sábado de manhã.
ela trabalha cento e vinte horas seguidas por semana e ganha mil e seiscentos reais.
ela é sozinha com três filhas e por isso tem medo de reclamar e ser mandada embora.
apesar de tudo isso, ela sorriu muito.
conhecer a lêni foi muito contraditório:
eusentiesperançanomundoaomesmotempoemquesentiqueomundotáperdido.
provocação
cê dormiu bem essa noite? que que cê fez de manhã?
coloca a música. ouvem.
acompanha o pássaro
mas não atrapalha o voo
não tente olhar com as mãos
estar perto requer outros dons
acompanha o pássaro
mas não atrapalha o voo
não tente olhar com as mãos
estar perto requer outros dons
de todas as coisas
eu espero que você permaneça
de todas as coisas
eu espero que você permaneça
em mim
passarinho quis vioar
e voou
passarinho quis voar
e realmente voou
eu não atrapalho não
sou dessas que têm binóculos
eu não atrapalho nunca
eu tenho um coração de espuma
eu tenho uma amiga que. e é difícil falar. é como se tivesse uma névoa na cabeça. é como se. eu acordo mas. e é difícil. eu não consigo explicar. eu acho que. quando eu era pequeno a minha mãe me dava uns beliscões quando eu chorava. por isso que eu aprendi a parar de chorar. aí eu finjo que eu tô rindo. e ela tem um namorado que. às vezes tem medo de. mas ao mesmo tempo. também tem que pensar que.
a chris que mostrou essa canção linda. talvez cantem, talvez dancem. talvez sorriam. ou brinquem. ou nada. nada mesmo.
Quando o sol,
se derramar em toda a sua essência,
desafiando o poder da ciência,
pra combater o mal.
E o mar,
com suas águas bravias,
levar consigo o pó dos nosso dias,
vai ser um bom sinal.
Os palácios vão desabar
sob a força de um temporal,
e os e os ventos vão sufocar o barulho infernal.
Os homens vão se revelar
dessa farça descomunal,
vai voltar tudo ao seu lugar, afinal.
Vai resplandecer, uma chuva de prata,
do céu vai descer, lalaia.
O esplendor da mata vai renascer,
e o ar de novo, vai ser natural.
Vai florir,
cada grande cidade, o mato vai cobrir
ô ô
das ruinas um novo povo vai surgir,
e vai cantar afinal.
As pragas e as ervas daninhas,
As armas e os homens de mal,
vão desaparecer nas cinzas de um carnaval.
sábado, 30 de abril de 2016
INCORPORAR PALAVRAS
quarta-feira, 27 de abril de 2016
sobre uma despedida
domingo, 10 de abril de 2016
MINHA MÃE
MAS JUNTOU CORAGEM, RS.
FEZ CURSO NO SENAC.
SEXTA-FEIRA.
O PROFESSOR QUIS AJUDAR.
DISSE PRA NÃO FICAR NERVOSA.
PRECISAVA RELAXAR.
TOMAR UMA CERVEJINHA.
TALVEZ AULA PARTICULAR.
NO FIM DE SEMANA.
MÃO NA PERNA.
ELA LEVANTA. SAI.
minha mãe tem 60 anos.
domingo, 3 de abril de 2016
Provocação
Coloco "Cidadão Instigado" pra tocar. Vou arrumar espelhos. Falo para as pessoas que estiverem na sala:
-Festa de família. Natal, talvez. De noite.
(... )
-Não! Sou eu que fugi da família, fugi de casa, fugi de todo mundo procurando todo mundo. Sou eu tentado encontrar na solidão a mim e ao outro. Quem? Quando? Para. Vive, vive apenas. Rilke bem que me avisou que era pra acostumar-se com a presença das perguntas, em vez de angustiar-se com a ausência das respostas. Era, disse ele, para admirar a beleza do não- saber, sem muito mais. Já não sei se foi exatamente isso o que ele disse, mas pelo menos foi assim que tudo aquilo se imprimiu em mim. Chega. A festa de família voltou. Tomo um gole de vinho, meio atordoada. Tudo passou muito rápido e agora me vejo outra vez aqui, sem saber exatamente por que. Chega.
Levanto e vou até o banheiro. Descarrego.
descontrole, potencial transbordante
Falou a primeira palavra aos 6 meses: nã... quando queria dizer não.
O primeiro passinho veio dois meses depois. Quando deu o primeiro nunca mais engatinhou.
Tinha 4 anos quando leu "Butterfly" na capa de um livrinho.
Aos 5 lia e escrevia em português e inglês
"Criança Prodígio! - Muito Inteligente. Essa aí vai longe... Não sei nem a quem puxou"
Foi oradora da turma do prézinho, tinha 5 anos.
"Tão fofa! é a mais nova da turma e lê melhor que todos os outros"
Ganhou bolsa pra estudar até o último ano do colégio
E se formou no ensino-médio com dezesseis anos recém completos
"Que potencial, com toda essa inteligência pode fazer o que quiser!"
Entrou de primeira na universidade pública. Com dezenove estava formada.
Entrou de primeira na segunda universidade pública. E Federal.
"Muito Inteligente. Quanto potencial!"
Nunca fez xixi na cama. Na primeira manhã depois de dormir sem fralda, acordou dizendo "sisi, sisi" e esperou até ser levada ao banheiro pra urinar. Nunca vi neném mais inteligente.
"Esse vai longe!! Tem tanto potencial"
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
Tanto potencial...
[faz xixi e deixa sujo. alguém limpa]
quarta-feira, 30 de março de 2016
Apresentação Magnética da Chris
Minha família é de três, minha mãe meu pai e eu. Não tenho muito pra onde ir, então acho que vou contar o começo. A história de como meus pais se conheceram é legal. Meu pai bateu, deu uma batidinha, no carro da minha mãe na véspera do ano novo, 31 de Dezembro. Minha mãe, ariana que é, desceu puta esbravejando. Meu pai gamou nela a primeira vista e resolveu segui-la até em casa. Ficou na porta dela até ela sair. Quando ela finalmente apareceu, na cara de pau, perguntou o que ela ia fazer no Ano Novo. Ela disse que ia na praia da Bica, ali na Ilha do Governador. Ele perguntou se podia ir, ela disse que sim. Depois da virada do ano, quando andavam na praia, deram de cara com uma cigana, que pediu pra ler a mão deles. Meu pai, cético que é, não acreditava nem um pouco naquilo tudo, mas acabou deixando. A cigana disse que eles se casariam e teriam uma filha. Quando meu pai conta esse história gosto da cara que ele faz, um sorriso meio torto, maroto, olhando de lado, como percebendo ali o mistério...
terça-feira, 22 de março de 2016
Começa por saber que desde o início não sabemos de nada
(...)
-Maravilha! Escreve aqui pra eu lembrar? Eu quero saber exatamente quantas de mim existem por ai...obrigada!
ou
-Uma pessoa já está com essa Chris...escolhe outra?
segunda-feira, 7 de março de 2016
provok ação
Qual seu nome?
-Fulano
Oi fulano, posso escrever CASAVAZIA aqui na sua mão pra você poder circular, sair e entrar à vontade?
E, por favor, você pode escrever seu nome em algum lugar aqui do meu corpo? É mais pra gente saber quantas pessoas tão frequentando a casa na edição de hoje.
Qualquer lugar!!
[tira a roupa e, vulnerável, se entrega pra recebr a escrita do Outro. Recebe]
provocação Ilê Ayê - Que bloco é esse?
Eu vou contar a vcs uma história:
Eu morava perto do morro do cantagalo, aqui no rio, perto da praia e a praia era aquele lugar “democratico” onde “td mundo era igual”. A vdd é que brancos ali tentavam fazer experiencias antropologicas escrotas com favelados mas era bem sutil mesmo. Eu me incluo nessa.
Eu fiquei amigona de um mlq cujo apelido se chamava tote (qm eh da zs do rio deve conhece-lo) Surfista sinistro, me ensinou à surfar direito, me ajudava em varios aspectos da minha vida e um detalhe q nao importa aqui, foi um dos poucos caras q nao tentou me agarrar. Estudava em facul publica q dpa teve q largar. Tinha varios patrocinadores de surf querendo patrocina-lo. O mlq era FODA. a mae dele era aidetica e alcoolotra e ele q cuidava da casa toda. Dos irmaos, dinheiro etc. Ele era negro e nao aquele negro que a sociedade erotiza e contrata pra fazer cota nas lojas e evitar uma má visibilidade e processo. Ele era aquele cara q pessoas atravessavam a rua ao ver, pq ele “tjnha cara de bandido” como diziam. Ele se meteu com trafico e geralmente vendia pro arpoador inteiro. Se meteu pq surf ia demorar pra ganhar dinheiro e ele nao podia esperar. Faltava comida, remedio etc e sinceramente? Nao ia ser facil achar um emprego. Ele queria ser surfista mas qs viu o dinheiro entrar, foi desistindo. Eu era bem amiga dele e fumavamos juntos. Eu sequer subia o morro.
Um dia ele morreu. Assassinado num confronto.Eu to viva. Todos os clientes playboys dele estao vivos e trabalhando, mt bem obrigada.
Fico pensando… se a gente n tivesse enchido o rabo dele de grana de uma vez pra sustentar nossas babaquices, talvez fosse ele no lugar do gabriel medina hoje (e eu pego obda desde q nasci, eu SEI qm era bom e ele iria mt longe. Essa historia é mt triste.Fim da historia
fonte:
https://amargemdofeminismo.wordpress.com/2014/11/14/o-trafico-de-drogas-arruina-a-vida-das-perifericas-e-nao-ignore-que-voce-financia-isso/
enquanto dichava, enrola e acende um baseado - conta a história e ouve "convoque seu Buda" - do Criolo
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Querida Yulong
(Cara tirada do Livro "As Boas Mulheres da China", autora XINRAN)
domingo, 28 de fevereiro de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
apresentação magnética (do ricardo)
cachoeira de São Jorge
você vem pro banheiro;
eu entro;
me dispo;
entro na água fraca;
lento;
lento; e
lento.
se um vidro cai no chão, quebra?
O vidro cai. Estilhaça. Estilhaços.
Até que um dia a Camila me disse: quem me cuida sou eu.
um quadro de van gogh (ou o quarto do van gogh)
Eu não tenho mais tantos melhores amigos como antigamente.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Mariah_apresentação magnética
Meus pais nasceram em 66, casaram em 88 e eu nasci em 99.
7 meses depois eles se separaram. Mas aí, 2 anos depois casaram de novo.
Só que a minha mãe casou com o Beto e meu pai casou com a Tóia.
Aí, quando eu tinha 4 anos, pedi muito e o Papai do Céu mandou o Matheus pelo meu pai, e mesmo sem eu pedir, mandou também a Vero pela minha mãe. 2 anos depois ele mandou o Victor pela minha mãe, e como o Papai do Céu é um cara muito justo, mandou o Biel pelo meu pai.
Com 4 anos eu era filha única e aos 8 anos eu já tinha 4 irmãos.
E viajava que meus pais iam se separar, casar de novo. (um com o outro) e a gente ia morar todo mundo junto. Mas como eu gostava do Beto e da Tóia eles iam ficar juntos e as crianças iam pra lá no final de semana.
E rolou, só que eu não pedi direito e parou na parte em que meus pais se separavam e casavam de novo. Só que mais uma vez foi com outras pessoas. Meu pai casou com a Andréa e minha mãe casou com o Hélcio.
E aí, quando eu já tava grandinha e sabendo que não era bem o Papai do Céu que fazia meus irmãos... a dona Cegonha deu o Arthur pro meu pai e foi rapidinho buscar a Alice pra minha mãe.
Essa sou eu e esses são os meus irmãos: Matheus, Veronica, Victor, Gabriel e Arthur - e eles são as pessoas que eu mais amo no mundo.
A Alice também seria, mas eu inventei ela pra história ficar mais maravilhasa
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
compulsão + xixi
gravar áudio:
- coletar histórias de compulsão
cena:
beber 2 ou mais litros de água ininterruptamente enquanto o áudio é repetido. Terminar fazendo xixi na roupa e emendar na cena do banho.
nariz e casa
Quando eu entrava em casa, sentia um cheiro de desinfetante pinho sol e óleo de peroba. Limpeza. Não era muito gostoso, mas tinha cheiro de limpeza. Eu só percebi que o cheiro era esse quando não tava mais morando lá. É que a gente sente o cheiro da casa dos outros, mas não sente o cheiro da própria casa, pq já se acostumou. Eu não sentia o cheiro de lá não...
Na casa que eu moro hoje, tá tudo mofado...a infiltração ta ganhando as paredes aos pouquinhos, as baratas entram pelas frestas que existem nas janelas e portas, o piso estufou. Eh só entrar em casa que o cheiro de úmido ganha minhas narinas e só é substituído pelo cheiro do ralo quando eu chego perto do banheiro. Cheiro do ralo é sempre o mesmo. Cheiro de “tem alguma coisa errada”. Pq se tivesse tudo certo, o ralo não cheirava. Eu sinto cheiro de úmido todo dia. E sinto cheiro de ralo todo dia.
Acho que lá não é minha casa...
Na minha casa mesmo, que eu ainda vou morar, o ralo passa despercebido pelos narizes. Mofo, só tem no pão que o pessoal compra e esquece de comer antes da data de vencimento. Tem nada de infiltração não. O cheiro da casa é uma mistura de amaciante de roupa, comida no fogão, verde e rosa branca. Pena que eu não consigo sentir... é que nesse presente do futuro, meu nariz e minha casa namoram
Jogo + jogo
jogo 1: Munida de lençol e pregadores, propor para outres jogadores a montagem coletiva de uma cabaninha.
Quando estiver pronta, entrar com o máximo possível de pessoas e, propor.
jogo 2: Compartilhar histórias. Dentro de um pote, dispor pílulas de temas. Um papel eh sorteado e cada jogador precisa contar uma história com o tema sorteado. A história pode até ser inventada, mas o objetivo do jogo eh que os demais jogadores acreditem q eh verdade.
Exemplo de temas.
A primeira vez que senti saudade
A maior mentira que contei
Eu tenho uma história com uma parede
A vista da minha janela
A pior noite fora de casa
O melhor banho
Tombo no banheiro
No corredor ficava escuro
Bichinho de estimação
A descarga não funcionou
Naquele dia a sala tava lotada
Perdi na mudança
Acordei com um susto
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Depoimento de Victor Seixas sobre experiência em Casa Vazia
Brincar de declarar É preciso coragem para abrir. Ô se é. Para descer as escadas na companhia do coração vestido de partido alto. Receber as regras com atenção. Perceber a volta do sotaque do amigo que veio das bandas de lá de cima, sedento pela carne preparada pela avó. O banho de chuva, de cuia, de chuveiro, de mãe. É precisa a leveza dos pássaros, a delicadeza do olhar, as crianças, o cão, a vizinhança. É preciso negar o brigadeiro: doce mesmo é a calmaria da Chris. Um convite a um ponto de vista, um abismo de visão, um afago. É brincadeira pura todo o rock para mamãe. O fone de ouvido sem microfone da atriz semi completa que varre o chão. Repleta é Mariah. Envolve, acaricia, seduz e transforma. Conhece as formas. Saboroso fubá, na carona do queijo de minas, batido pelas mãos do pernambucano (já sem sotaque). A mesa posta é Samuca. É farto, é anfitrião, é receita de humano. Segredo é brincar de cegueira, de pé no chão, mão na mão, mão no coração, mão na chave. Segurar forte. Sério é Ricardo. De cartas, de frechas, de lavabo, de frente. Amadurecer é ser capaz de ouvir as mesmas histórias por bocas distintas? Qual é o bastante para não sofrer? Qual a parte que nos cabe nesse caderno? Não foram perguntas, não. Foi a vitória da vontade sobre o medo. Overdose de encontro. Oficina de amor. - Quando você chegar não precisa interfonar, mete a mão (ou a mãe) na maçaneta e pode entrar. E não me diz para ficar a vontade. Isso não precisa. Já cheguei com ela.
Depoimento de Camila Barra sobre experiência em Casa Vazia
Sobre a experiência na C A S A V A Z I A
Depoimento em áudio de Luiza Toschi sobre a experiência em Casa Vazia
https://soundcloud.com/gabriel-morais-4/depoimento-de-luiza-toschi-sobre-c-a-s-a-v-a-z-i-a
domingo, 29 de novembro de 2015
(Seguro um cartaz com a imagem de uma mulher na frente do rosto. São muitos cartazes, todos com imagens de mulheres. Cantarolando, convido que me acompanhem. No caminho para o banheiro vou tirando os cartazes da frente do rosto e os deixo pelo caminho.) (Ainda com cartazes na frente do rosto) Vou começar pelo obvio. Camila, 27 anos. Agora eu poderia listar algumas memórias, (volto a tirar os cartazes da frente do rosto enquanto falo) falar sobre a minha infância, meus pais, minha cachorra, os gatos que já tive, as casas onde morei, os amigos que deixei pelo caminho, aqueles que carrego comigo desde muito tempo, meus desejos, minhas dores, tantas coisas, parece impossível fazer um recorte. Meu Deus! Sim, eu acredito em Deus, Deuses e Deusas. (acendendo velas) Cavalarias de seres de luz. Ando mística ultimamente, para não dizer religiosa. Tenho descoberto tantos eus em mim, talvez, por isso, seja tão difícil escolher sobre quem falar. Essa semana mesmo, apresentou-se para mim a minha guardiã. Eu mesma. (de dentro do box, com a porta fechada, suspensão na posição da guardiã) Mãos fincadas na terra, estado de vigília, protejo a mim, meu território, ergo minhas fronteiras e sei que nada de ruim pode acontecer, pois eu estou aqui fazendo a minha guarda. Atenta. Cuido de mim como ninguém poderia fazer. (desmonto) Durante muito tempo me entreguei aos cuidados e ao descuido dos outros, hoje eu cuido de mim, sou meu próprio colo. Como é difícil enfrentar a mata fechada que pode ser alguém, eu, o outro, é preciso ser Iansã guerreira, humildemente corajosa para enfrentar o desconhecido. Para deixar-se conhecer.(saio do box) Uma sensação de imensidão para dentro. Ando recolhida. Seleciono cautelosamente aqueles que podem cruzar minhas fronteiras e conhecer meus territórios, poucos chegam a me encontrar por aqui. Mas eu disfarço bem e entrego com carinho algum aroma de mim. Até ser encontrada, nas profundezas de mim, pequena e imensa, por sutis e enormes olhos, capazes de perceber que nós, todAs nós, encerramos em nós a origem de todas as coisas. (saio carregando todos os cartazes, como quem embala a si mesma. todas. eu.)
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
não sabia usar
ideia
cotonete
- sabe o complexo de édipo?
- sei.
- então. pensa sobre isso.
apresentação reloaded
domingo, 1 de março de 2015
SAM'S BIOGRAPHY
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
falta material aí ó
caixas
objeto de cada um
o silêncio e as ações
o que vc fez de incrível essa semana?
JÁ VÔ
Todo dia, meio dia em ponto minha avó me chama pra acordar o meu avô.
É um ritual:
Eu levo um copo de água ou chá e deixo no criado-mudo, do lado dele
dou um beijo com muito carinho e silêncio no meu Lelo
abro a janela
ligo a TV
Desço e sei que ele só vai descer as três da tarde (completamente cheiroso) pra almoçar e ir trabalhar no restaurante.
Ele faz isso todo dia, sete vezes por semana, todos os dias do ano. Desde que eu me entendo por gente.
Chega no restaurante e senta na mesa no meio do salão. De lá ele vê tudo. o forno, a porta, o caixa, os garçons e os clientes. E até as costas, o que tá longe do olho... ele vê tbm.
Eu nunca soube como ele fazia isso, mas em casa era a mesma coisa - ele sabia quem tava bem na escola, quem tava bem e mal de grana, se tinha rolado alguma briga... Isso pq ele ficava em casa aquelas três horas no quarto, almoçava, ia trabalhar e só voltava na madrugada.
E eu tbm não sei bem pq escolhi contar essa história. Sei que ele foi meu pai, que tava sempre lá pra mim... que era o cara mais justo que eu já conheci...
E que eu daria um ano inteiro da minha vida pra repetir aquele ritual por mais um dia.
palavrar.
Escrever pelo ato, pela repetição, pela melhora... pra tocar.
E a mediocridade dança... Tudo já foi dito, tudo já foi escrito, tudo já foi sentido.... E a mediocridade dança..
Dito, escutado, escrito, lido... Mas, Sentido? Sentido por quem? Aqui nada é sentido... busca-se O sentido, UM sentido, mas nunca o sentir... Nada se sente...Mas, ei... Isso também já foi dito, escrito, sentido... Sentido por quem?! Aqui não se sente... Não importam o tema, a imagem, as palavras.. Nada toca, nada permeia, nada se sente... Tudo simplesmente passa...e quando muito, levemente arranha...
Muito fechado, muito racional... congelado!
Falta cheiro, falta cor, falta plasticidade... Não, não!! Ta tudo aí... Ao alcance, e em quantidade suficiente pra quem quiser.... Só Falta sentir, acolher, descongelar!
E, como diria o poeta (porque tudo já foi dito) Socorro!! É preciso descongelar...
E quando o descongelamento faz sentido, quer ser sentido! parece que borbulha, chacoalha, treme... Concentradas no timo, as sensações vibram! É hora de cheirar, de enxergar, de sentir, de despertar!..... BUUUUUUUUM!!!! Agora sim!! .. ao infinito, e quiçá, ALÉM!
escrevivendo
letras? e Despertar?
- Se sente!
café, lotação, sensação - expressa.
emoção. libertá,
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Manifesto do cafuné
E vai começar assim:
Não se cumprimentem com apertos de mão, beijinho no rosto ou só com o olhar.
A partir de hoje, ao cumprimentar alguém, ofereça um cafuné e se permita receber um cafuné...
Acho que se a gente trocasse cafunés, o mundo ia ser mais molinho....-
Sabia? átomos e abraços
Os átomos não se encostam de fato... o que a gente tem é uma sensação do contato - a matéria é só ilusória...
O que significa, que quando a gente se encosta não tá encostando de verdade.
Mas é incrível, né? que a gente possa ter essa sensação, ainda que ilusória... essa ilusão de acabar com a distância...
http://www.curaeascensao.com.br/curaquantica_arquivos/curaquantica/curaquantica662.html
Até porque, mesmo que seja só uma sensação - o toque é extremamente poderoso.
Sabia que um abraço que dura mais de 20 segundos promove o bem-estar e tem um efeito terapêutico?
é que o abraço apertado libera um hormônio chamado ocitocina, que tbm é conhecido como hormônio do amor.
http://acritica.uol.com.br/vida/Hormonio-abraco-beneficios-fisica-humano_0_1051694850.html
Paradoxal que a gente não se toque, mas que o toque faça tão bem. Mágico!
Portas e portais
é tipo uma parada energética... Cada ambiente tem sua própria energia e ficar embaixo de portais é como estar no cruzamento dessas energias... aí, dependendo de que energias são... não faz muito bem!
[partitura da pulada de porta
http://www.jcatibaia.com.br/site/coluna/luiz-netto/196/a-protecao-comeca-pela-porta-de-entrada.html
fogo e fogueira u 15min?
...
” O que acontecerá às relações sociais num mundo onde “apenas tenho 15 minutos para contar uma história de adormecer aos meus filhos”?
...
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/conversas-a-luz-de-uma-fogueira-terao-estimulado-a-evolucao-das-nossas-capacidades-cognitivas-sociais-e-culturais-1670502
manga na boca
Vc gosta de manga?
(Se sim, oferece e pergunta:
De que
maneira costuma comê-los? Com a boca toda, não é? Abre-se
pelo meio; depois apertamos com os dedos até escorrer o sumo...
como dois lábios carnudos... Que delícia!
Se não, responde: eu adoro)
Na minha casa, sempre tinha uma cesta de frutas. Mas, na época do Natal, tinha bem umas três cestas... e uma delas era quase inteirinha de manga.
O cheiro de manga me leva direto pro Natal na casa da minha avó. Engraçado que eu lembro do cheiro do Natal na minha casa, mas do cheiro da minha casa mesmo, eu não lembro... Sabe?
Aquela espécie de cheiro particular de
cada casa! Da sua, da minha... – mas na nossa, nós já não sentimos
mais, porque já é o cheiro da nossa própria vida...
Eu não consigo mais lembrar qual era o cheiro da minha vida.
A casa era enorme. Eu morava lá com os meus avós, minha tia, minha mãe e meus irmãos.
Tinha 4 quartos, duas suítes, 3 salas, 1 salão de festas, 1 jardim de inverno, 1 lavanderia, 1 cozinha, 1 copa, 1 vestiário, 1 piscina, 1 pé de cacau, 1 quarto de costura, 1 garagem pra 6 carros, 1 pé de cacau e o meu canto preferido - a biblioteca, que tinha cheiro de mofo e livro novo, ao mesmo tempo -
eu morei lá a vida toda.
Aí minha mãe foi pra Vinhedo, minha irmã foi pra Minas, meu avô foi pro céu e eu vim pro Rio.
E a casa ficou grande pra minha avó e a minha tia.
Ano passado, elas venderam a casa e a gente passou o último Natal lá.
Agora já entregaram, já demoliram, doaram os 5 mil livros do meu avô e esse ano vai ser meu primeiro Natal em outro lugar...
Tomara que ainda tenha cheiro de manga...
apresentação magnética
Nem me apresentei, né?
Meu nome é Mariah Valeiras Aguiar Miguel.
Valeiras por parte de mãe e Aguiar Miguel por parte de pai.
E eu tenho uma ex-madrasta, um ex-padrasto, uma madrasta, um padrasto, uma mãe, um pai,quatro irmãos e uma irmã. 2 por parte de mãe, 3 por parte de pai.
Vem cá que eu vou explicar melhor.
[na geladeira, imãs]
Esse aqui é meu pai Allan Aguiar Miguel, e essa é minha mãe Teresa Valeiras
E essa sou - Mariah Miguel Valeiras. Mariah, de Mariah - Miguel de Miguel - e Valeiras, de Valeiras mesmo.
Quando eu tinha 7 meses, meus pais se separaram - mas, quando eu completei dois anos eles se casaram outra vez (junta os imã e e separa outra vez) só que com outras pessoas.
Minha mãe casou com o meu padrasto Beto e meu pai casou com a minha madrasta Tóia.
Mais uns dois anos e meu pai engravidou o Beto do Matheus - menos de 6 meses depois, e minha mãe engravidou a Tóia da Veronica. O Matheus, por parte de pai, tem 20 anos - e a Veronica, por parte de mãe, tbm.
Só que aí, mais uns dois anos foi a vez do Beto parir o Victor e a Tóia, parir o Gabriel. O Victor, por parte de mãe, tem 18 anos e o Gabriel, por parte de pai, tbm.
Só que aí, um tempinho depois, minha mãe resolveu se separar - aí o meu pai nem esperou muito, se separou tbm e já casou de novo - aí, minha mãe deu um tempinho e tbm casou a terceira vez.
Nessa época, meu pai engravidou do Arthur e minha mãe já foi logo fazendo a Alice. O Arthur, por parte de pai, tem 7 anos, e a Alice, por parte de mãe tbm.
O Matheus, Veronica, O Victor, O Gabriel e O Arthur são as pessoas que eu mais amo no mundo.
A Alice também seria se eu não tivesse inventado ela só pra história ficar mais redonda...
Mas é isso.
Prazer, meu nome é Mariah Miguel Valeiras e eu tenho 5 irmãos mais novos.
Raphael
Mãe é mãe,
mãe não é só mãe
Mãe é tudo na minha vida
Mãe é amor,
mãe é amizade
mãe, eu amo você de verdade
Oi, Rapha,
Ah, não me vem com essa de querer mudar de nome outra vez... Já falei q não pode!
você gostou da música que eu fiz pra minha mãe?
Outro dia ela me disse que eu posso ser tuuuudo que eu quiser, menos cantora! E.... tudo bem, porque eu não quero ser cantora mesmo,
mas...
... outro dia, eu vi na televisão que a Cláudia Raia é uma atriz completa, porque ela canta, dança e atua.
E eu quero ser atriz... e eu não sei dançar, aí, fiquei pensando que se eu aprender a semi cantar, eu posso ser uma atriz semi completa.... tá bom, né?
e, pelo menos eu já to compondo, também...
Se eu já começar a fazer minhas músicas agora, eu posso ter um montão de música quando eu tiver uns 19 anos e já for famosa...
Pq vc tá rindo? Eu não acho nenhuma graça...
E, pro seu conhecimento, senhor Ra - pha - el, o senhor nem deveria estar aqui tomando banho comigo...
Não me importa que você seja um amigo imaginário. Eu já tenho 8 anos... e como minha mãe mesmo diz, já sou uma mocinha!
Mãe é mãe,
mãe não é só mãe
Mãe é tudo na minha vida
Mãe é amor,
mãe é amizade
mãe, eu amo você de verdade
sábado, 29 de novembro de 2014
Caminhar em preto e branco, linhas e aspargos
Sobre soldadinhos, carambolas, açude, chuva, "carcunda", colchões e xixi de vovô
Experimento - Saudade - 17/10/2014
"Soldadjinho de chumbo...tsc! (Com sotaque) Soldadinho de chumbo. Inseto. Sabe soldadinho de chumbo? Aquele bichinho preto com um pinta branca na barriga? Tinha um monte de soldadinho de chumbo no quintal da casa da minha avó. Quintal da casa da minha avó. Tinha um monte de soldadinho de chumbo no pé de carambola do quintal da casa da minha avó. Carambola. Suco de carambola. Casa da minha avó. Carne de panela da minha avó. - Vóóóó, tem carne? Vóóóóó tem carne? A carne de panela de vovó é tão gostosa. Eu gosto que só! O quintal da casa da minha avó era bem grande! Tinha pé de carambola, goiaba, laranja. E no fundo do quintal meu avô fazia colchão de capim forrado com xita pra vender. Não lembro da voz do meu avô. Ele já não falava mais, nem tomava banho. Era um cheiro de cachimbo e xixi que ele tinha. Caminho da casa da minha vó pra minha casa. Da minha casa pra casa da minha avó. Da casa da minha avó pra minha casa. Da minha casa pra casa da minha avó. Sempre na corcunda do meu pai. Era tudo na corcunda do meu pai. Açude na corcunda do meu pai, feira na corcunda do meu pai, igreja na corcunda do meu pai, praça, rua, mercado, escola, chuuuuva na corcunda do meu pai. Quando chovia a gente gostava de mergulhar na correnteza que se formava no meio fio das calçadas. A gente mergulhava e deixava a correnteza levar. Era água muito suja viu? Muito suja!! Mas a gente nem ligava!! - Uhhuuullll!!! - Mas, às vezes, era tempo de seca. A gente tinha que juntar água. Juntar água pra economizar. Tinha que tomar banho de cuia. - Já tomou banho de cuia? - Era cinco cuias de água pra cada banho, pra não gastar muita água. - uma, duas, três, quatro, cinco... - pronto, tava limpo. (deita na posição inicial, fecha os olhos, suspira) Eu queria poder dormir e quando acordar sê lá. Seria tão bom se a gente dormisse e quando acordasse fosse lá ne? Eu queria acordar e sê lá..."
S A M U E L
C A S A D A C H R I S
Meu pombo morreu!
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
minha casa não tinha portas
minha casa não tinha PORTAS. quer dizer, é claro que tinha, mas elas nunca eram FECHADAS, muito menos TRANCADAS. acho que foi por isso que me acostumei a ouvir CADA RUÍDO da casa.
levo você para uma pequena volta. continua com os olhos fechados?
estou aqui sentado em meu quarto, o quartel general do barulho de toda a casa. ouço baterem todas as portas, ouço ainda a porta do fogão sendo fechada.o pai arromba as portas de meu quarto e o atravessa arrastando a camisola. no aquecedor, no quarto contíguo, as brasas estalam. valli pergunta, da antecâmara, bradando palavra por palavra se o chapéu do pai já foi limpo. a maçaneta da porta da frente é abaixada, e a porta continua se abrindo, com um canto feminino. e fecha-se finalmente com um tranco abafado, masculino, que soa como o mais desconsiderado.
sabia de longe quando o barulho dos CHINELOS batendo no chão era de meu pai. ou, pelo ranger das dobradiças, quando era minha mãe que fechava a JANELA.
trago sua mão pro meu coração, pra você sentir minha pulsação. pra mim, tampouco está sendo fácil falar.
um dia MEU PAI ENTROU NO QUARTO e eu estava com o pau pra fora, duro. eu batia punheta de porta aberta, claro. era muito melhor pra escutar se vinha alguém chegando. durante muito tempo, pra mim o prazer do sexo se resumia ao MOMENTO DO GOZO. só na ARGENTINA comecei a sentir prazer antes de gozar, e a verdade é que até hoje ainda estou aprendendo. talvez porque lá eu pudesse me trancar O QUANTO QUISESSE. minhas portas de la plata foram tão importantes que até hoje guardo minhas chaves de lá, como se elas me EMPODERASSEM de alguma coisa.
abre os olhos. agora, me conta um SEGREDO TEU?
Familia Chris
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Saudade Chris
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Um pouco de Pessoa
O dia em que trouxemos algo
Apresentação Chris
Sempre tive uma sensação de despertencimento
terça-feira, 11 de novembro de 2014
01 (hum) sonho
Atmosfera hostil,
Do lado de fora, um descampado e muita terra. Passam dois bois.
é sobre teatro e a impossibilidade do teatro.
Lála taí.
Seguimos, em corrida, os dois animais.
Galope.
Acordo.
escorre tempo
perfura.
perfuração e abcesso.
dar a ver
relação?
Sublime! Banal...
Ricardo e Kafka
cheiros - sons.
Imagens que trazem um tempo à tona. presentificam. passadificam.
angústia e conforto
tristeza bonita
alegria saudosa
CONTIGO
cidadã instigada
Textura cremosa
Intimidade - virada - depoimento - rotina - cotidiano - corriqueiro - passagem - cruzamento
TROCA. TOQUE.
"Liberdade no encontro com o Outro"
Olhar. escuta.
ando, paro e respiro.
Silêncio na multidão. GRITO de indivíduo.
Melodia que abraça.
Embalar. (embalo - embalagem)
Revestimento.
crocância
Iluminação cambaleante / bruxuleante do televisor. blockbuster.
Cobertor. almofadas. sofá. coxa. cabelo. cafuné. pele. montinho. aconchego.
pipoca. o cheiro que toma conta da sala. pipoca salgada, pipoca com manteiga, pipoca doce. mastigar de pipocas.
pausa pro xixi.
tssss. alguém abriu a coca-cola. não tão gelada, pq fora da geladeira. coca, pipoca e filme no sábado. quantos filmes a gente já viu? abre o chocolate e coloca mais um. amanhã ainda é domingo.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Uma palestra
casa sf. 1. Edifício destinado, em geral, a habitação. 2. Lar, família. 3. Estabelecimento, firma. 4. Abertura por onde passa o botão; botoeira. 5. Grupo de dezenas, começando por dez ou múltiplo desse número, na idade de uma pessoa. | casa de detenção. 1. Estabelecimento oficial onde ficam detidos os réus que aguardam julgamento. 2. P. ext. V. cadeia (2).
casa s.f. 1. Casa, vivienda, residencia. 2. Ojal. 3. Casa, establecimiento comercial o industrial. 4. División de tablero, casilla, casillero. 5. Casa, familia noble. 6. Fig. Hogar. Las buenas costumbres se aprenden en el hogar. | Casa de campo. Villa, quinta. Casa geminada. Casa adosada/pareada.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
escuta, chris
uma pergunta. e uma resposta.
- O suficiente pra não sofrer demais.
possível final 1
Ricardo diz que uma das coisas que ele mais gosta no teatro é o tanto que se troca com alguém em cena. Essa partilha de uma intimidade que abrange um outro pedaço da vida. Uma cumplicidade de uma outra ordem, que diz respeito a um outro tipo de relação. Não necessariamente melhor ou pior que a da vida ordinária, mas diferente.
Mariah levanta da mesa e vai buscar alguma coisa em sua bolsa. Ricardo não entende a atitude de Mariah, fica até um pouco ofendido, está falando sobre algo que lhe é muito caro, meu deus.
Mas ele não parou de falar. Completou que, nesse trabalho, esse mesmo da casa, ainda por cima estamos indo muito em nós mesmos, compartilhando muito do que é nosso. Se embaralha um pouco com a fala, Mariah voltou, ela tem uns papéis na mão, Ricardo termina dizendo que já sente uma coisa muito forte por todos ali.
Mariah lê. Apenas lê. E diz tudo que precisava ser dito. Diz que comunicação é sempre amor, não tem outro meio. E amor é sempre acompanhado por confiança, confiança de que o outro é capaz; porque o outro sou eu. Se o outro é capaz, eu também me torno capaz. Isto é o oposto de paternalismo, patriarcado, capitalismo. É a liberdade. Quando eu posso receber o outro, então estou comunicando; quando eu escuto o outro e sei que posso falar também. Estes momentos não acontecem todos os dias porque estamos inseridos em fortes estruturas de poder e opressão – estão ao nosso redor, por dentro, por toda parte. Vivemos num mundo que não quer que sejamos tocados porque se formos, nos tornaremos poderosos e capazes de mudar as coisas. Teatro político é portanto qualquer teatro voltado para esta noção básica de respeito aos seres humanos como iguais. E estar sempre em movimento porque nada está de fato completo e finalizado. O ator finge que finge. E este texto foi escrito para ser jogado no mar.
Não há mais nada a ser dito, pois. Apagamos a vela. Escuro.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Onde está o amor?
"Eu venho tentando o silêncio. Tentando me distrair pra não me pegar pensando em você. Mas não é simples. Dá saudade. Das pernas juntas, dos beijos, das mãos nos cachos, do cheiro..."
Esses dias me perguntaram, de supetão, num pedaço de guardanapo, onde estava o amor. Não soube o que responder, embora muito me tenha passado pela cabeça.
Sinto-me jogado de um lado para outro em meu desejo que, torpe, caminha trôpego, bêbado, numa tentativa risível de voltar pra casa.
Logo no dia seguinte à pergunta do guardanapo, recebi uma mensagem do Gabriel. Ele falava do seu silêncio, do meu, e das possíveis armadilhas que muitos silêncios juntos são capazes de engendrar, às vezes mesmo sem maldade aparente.
É difícil, muito difícil, caminhar sem tropeçar. Tanto quanto, pra mim, viver sem amar. Mas é só quando (suspensão) a gente caminha sem pensar - nas pedras fora do lugar, nas poças que respingam, nas formigas que inevitavelmente se mata, nos desvãos e nos desvios - é só quando a gente caminha sem pensar que não se corre o risco de cair. Que trabalho árduo é o de andar.
Eu acho que eu sinto saudade do futuro. De quando eu conseguir não pensar tanto.
Deus existe? Sim ou não?
E se lhe fosse comprovada a sua existência - ou mesmo sua não existência - isso mudaria seu comportamento no dia-a-dia?
Peço pra que alguém leia o segundo bilhete. Deixo o banheiro antes do fim da leitura.
"Sinto sua falta. De saber de você. De ver você evoluir. Sinto falta de muita coisa. Queria te lembrar disso, pra que a gente não caia em nenhuma armadilha do silêncio. Não quero jogo. Quero verdade, transparência e vontade. Então tá aqui a minha vontade de dizer o que sinto. Sinto falta."
apresentação Ricardo
Sou ator. E para poder ser ator, me desdobro nas aulas de espanhol e nos freelas de tradução, revisão e assessoria de imprensa. Faço qualquer coisa que der – mas aprendi que dignidade não se vende.
Sou de Áries, mas o elemento que menos tenho no meu mapa é fogo. A verdade é que sou um grande pisciano, com uma neca de fogo que me faz não ter medo de seguir em frente, por mais escuro que tudo pareça. Mas não tem jeito: sou da água do mar, lá do meio do oceano, onde tudo parece infinito demais, profundo demais, grande demais para que eu mesmo consiga... não sei.
Pensar em como me apresentar foi absolutamente desesperador. E sei que não me apresentei. O ponto é que é difícil dizer quem sou, porque olhando pra trás vejo quantas vezes já fui e não sou mais. As transformações da vida, as voltas em que ela nos leva, são fascinantes, mas também cansativas. As coisas nunca param, a roda sempre gira, e às vezes não tenho tempo nem mesmo de acostumar ao que virei e... já estou diferente de novo. Acho que é por isso que, olhando pro futuro, não sou desses que diz de boca cheia que quer viver cem anos. Não, é muita coisa. Não preciso de tanto. Não sei se aguento tanto. Viver dá muito trabalho.



